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Seminário Conectando Conhecimentos tem recorde de inscrições

O evento, realizado ontem (31), reuniu cerca de 170 pessoas, de seis estados brasileiros.

  • Publicado: Quinta, 01 de Junho de 2017, 17h29
  • Última atualização em Quinta, 06 de Julho de 2017, 09h44
Cerca de 170 professores participaram do evento.

Com o tema "Os desafios na formação e capacitação de professores da educação especial e inclusiva na área da deficiência visual", a  quarta edição do Seminário atraiu participantes dos estados do Rio Grande do Norte, Acre, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, além do Rio de Janeiro.

A programação iniciou com duas comunicações orais.  Na primeira, a professora e doutoranda Fernanda Malinosky Coelho da Rosa apresentou o projeto de pesquisa que desenvolve na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), sob a coordenação da professora Ivete Maria Baraldi.  O trabalho trata das dificuldades a serem superadas na formação continuada em educação especial dos professores de matemática.  O projeto registrou narrativas dos docentes em que ficou patente a angústia deles  diante da necessidade de se capacitarem no atendimento a um público cada vez mais diversificado que vem chegando às escolas públicas e privadas.  

Apesar de reconhecer a urgência de o País investir mais na formação dos professores, Fernanda disse que também é fundamental uma mudança de postura diante da questão da inclusão dos alunos com deficiência visual.   "A capacitação é importante, mas não tudo;  é preciso que haja também a mudança do olhar de toda a comunidade escolar, sobre cada aluno.  Incluir esses estudantes  não é uma tarefa apenas do professor", concluiu.

A segunda comunicação oral foi da professora Leidiane dos Santos Aguiar Macambira, mestra em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professora do curso Educação em Direitos Humanos oferecido pela Prefeitura de Maricá e membro do Coletivo Diferenças e Alteridade na Educação.  Através das narrativas de três professoras, ela expôs as dificuldades da rede regular de ensino de se adequar às políticas públicas de inclusão das pessoas com deficiências visuais.  

Leidiane relatou também a experiência obtida nas oficinas de produção de material didático especializado para o ensino de alunos cegos e com baixa visão que ministra  em  São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro.   A professora também defendeu a tese de que a formação de professores especializados em DV é muito importante, mas não basta.  "É preciso primeiro quebrarmos essa barreira que nós mesmos colocamos quando encontramos uma pessoa com deficiência visual.  Precisamos aprender a falar com elas e não a fugir toda vez que as encontramos pelo desconhecimento de como lidar com as diferenças", completou.

Mesa-redonda

Em seguida, os professores Allan Damasceno (UFRRJ), Flávia Barbosa Dutra (UERJ) e Elise de Melo Borba Ferreira (IBC) falaram sobre diferentes aspectos do  panorama da formação e capacitação dos professores especializados no ensino de pessoas com deficiência visual, interagindo com a plateia após as palestras.  

Mestre e doutor em Educação, com ênfase na Educação Especializada, o professor Allan chamou a atenção para a grave situação por que passam os alunos com deficiências visuais tanto nas escolas do campoquanto naquelas localizadas nos centros urbanos  no que diz respeito ao atendimento às suas necessidades especiais em sala de aula.

Sempre criticando a dicotomização entre os termos capacitação e formação de professores, Allan reconheceu que, de uma forma geral, os docentes estão perdidos na tarefa de tornar a inclusão dos alunos com deficiência visual efetiva.  Ele atribui, entre outros fatores, à formação excessivamente generalista a partir da resolução nº1/2006, que tornou ainda mais problemática a qualificação desses profissionais.  "Os temas e questões que envolvem a formação inicial e continuada dos professores precisa avançar no sentido de promover um debate sobre a educação para a diversidade", concluiu o professor.

A professora Flávia Barbosa Dutra, pós-doutora em Educação Física Especial, iniciou a fala citando dados oficiais que revelam o aumento tanto da entrada de estudantes com deficiências variadas nas redes públicas e privada de ensino,  como também da capacitação de professores em Educação Especial e Inclusiva.  "Na verdade, o aumento na capacitação até ultrapassa o aumento das matrículas desses alunos, o que mostra o  esforço dos professores em preencher uma lacuna na formação acadêmica deles", complementou.     Segundo ela, uma pesquisa realizada com recém-formados do curso de Educação Física constatou que  58% deles se disseram despreparados para ensinar pessoas com deficiência.  Porém, mesmo com o aumento da qualificação docente, a professora disse faltar ainda efetividade nas ações de inclusão. 

Para Flávia, é fundamental a adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes, que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos alunos com deficiência.  "Medidas individualizadas que encarem cada aluno como um ser único e com necessidades diferentes; medidas coletivas que permitam que eles sejam incluídos de verdade no ambiente escolar", explicou.  Para ela, dentre essas medidas estão a promoção do trabalho colaborativo nas escolas e o estreitamento da parceria entre elas e as famílias dos alunos, além de uma formação docente dinâmica e atualizada.  "É preciso, antes de mais nada, desmistificar a ideia de que existe receita para lidar com alunos, tenham eles deficiências ou não.  A gente está sempre aprendendo", concluiu.

Já  a professora Elise de Melo Borba Ferreira, que atua no IBC há 33 anos, falou sobre a formação docente na área da deficiência visual oferecida pelo Instituto Benjamin Constant - objeto de estudo da dissertação com a qual obteve o grau de mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá.  O projeto de pesquisa dela foi calcado nas narrativas de professoras egressas dos cursos oferecidos pela instituição, que ressaltaram os ganhos teóricos e práticos obtidos e que lhes permitiram avançar no magistério, atuando de forma mais efetiva na educação especializada em deficiência visual.  "Apesar de nós, que trabalhamos no IBC, estarmos conscientes dos problemas que enfrentamos, eles não ficaram evidentes nos depoimentos. Todas reconheceram a importância da formação que tiveram aqui", completou.

Elise falou também dos cursos de formação continuada oferecidos pela Divisão de Capacitação de Recursos Humanos e também do Programa Capacita Brasil, que vem ministrando oficinas de baixa visão, orientação e mobilidade, produção de material especializado e introdução ao sistema braille e tecnologias assistivas em vários estados do Brasil.  O Programa é desenvolvido em  parceria com os institutos federais de educação profissional e tecnológica.  "No ano passado, capacitamos professores das redes federal, estadual e municipal do Maranhão, Rio Grande do Norte, Acre, Brasília e Rio de Janeiro, numa troca de experiências muito boa", informou.  

A professora manifestou também sua preocupação com os desafios que o IBC tem pela frente, como: a redução dos recursos, a aposentadoria de vários professores e a consolidação do Ensino a Distância, que ainda precisa avançar na melhoria da acessibilidade dos cursos na respectiva plataforma.  

A coordenadora do seminário, Naiara Rust, disse que não poderia estar mais satisfeita com essa edição do seminário.  "O número de inscritos superou nossa expectativa, o que demonstra que o Conectando Conhecimentos está se tornando conhecido e respeitado dentro e fora do Estado do Rio de Janeiro, sem falar do alto nível das comunicações orais e dos palestrantes", avaliou a professora que também assumiu há pouco tempo a recém-criada Coordenação de Pós-Graduação.  Ela fez questão de agradecer aos cinco intérpretes de Libras que fizeram a tradução das falas para os participantes com deficiência auditiva.  "Agradecemos a eles e às instituições que sempre nos apoiam quando precisamos - nesse caso, o Instituto Nacional de Educação de Surdos e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro", concluiu.

O  próximo seminário

A organização dos Seminários Conectando Conhecimentos avisa que a quinta edição já tem dia e tema definidos: ele será realizado no dia 27 de setembro, dentro das comemorações  aos 164 anos de fundação do IBC.  O tema será "Políticas Públicas de Inclusão".

 

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