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Notícias

IBC conquista seu primeiro curso de pós-graduação

A portaria com o reconhecimento do mestrado profissional em Ensino na Temática da Deficiência Visual foi publicada na edição de ontem (18) do Diário Oficial da União (DOU).

  • Publicado: Sexta, 19 de Junho de 2020, 18h43
  • Última atualização em Sexta, 19 de Junho de 2020, 23h54
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A assinatura do documento foi um dos últimos atos do ministro Abraham Weintraub antes de ele pedir demissão do cargo e pegou todos os membros do Conselho Diretor de supresa.  Eles participavam de uma reunião por videoconferência quando foram informados do ato ministerial pela diretora do DPA e também conselheira, Maria Odete Duarte.  "Hoje é um dia muito especial para todos nós e eu, como técnica administrativa, fico muito feliz por ver o IBC crescendo institucionalmente", disse ela, sendo acompanhada pelos demais conselheiros. 

A aprovação definitiva do curso faz parte de um longo processo, cuja semente foi plantada no ano de 2005, ainda na gestão da então diretora-geral Érica Deslandes (2003 – 2010), hoje chefe de gabinete do IBC.  Naquela época, a luta era para transformar o curso de especialização de professores na área da deficiência visual — o "cursão", como era conhecido — em um curso de pós-graduação lato sensu.  "Apesar de muito bom, completo, com carga horária de 600 horas e bastante tradicional no Instituto, o nosso curso não era, de fato, um curso de especialização no sentido que damos ao termo hoje. Bem que tentamos transformá-lo em uma especialização de verdade , mas realmente não tínhamos o amparo legal para mudar o status do curso e, por isso, nosso pedido foi negado pela Secretaria de Educação Especial  (SEESP)", conta a professora Maria da Glória Almeida.  

Segundo ela, o maior entrave legal era o regimento interno da instituição, que a restringia a atuar apenas no ensino fundamental.  Em 2009 tentou-se alterá-lo para dar uma estrutura à instituição que permitisse ampliar sua atuação com a oferta de cursos de pós-graduação, mas a proposta de regimento foi recusada na íntegra sob o argumento que as alterações propostas implicariam o aumento substancial do orçamento da Instituição.  Em 2010, nova tentativa frustrada de implantar a especialização.  Apesar do  parecer pedagógico favorável da Capes, as ressalvas eram muitas, como a falta de mestres e doutores para atuar na pós-graduação.  

A partir de 2016, o esforço da direção-geral para estreitar as relações com o MEC começaram a surtir efeitos, propiciando um ambiente mais propício para a apresentação de uma nova proposta de regimento que garantisse as condições necessárias para que o IBC verticalizasse sua atuação acadêmica.  Finalmente, em dezembro de 2018, o ministro da Educação Rossiele Soares assinou o a versão final do novo documento, criando o tão sonhado DPPE, entre outras alterações que permitiram que a luta pela implantação da pós-graduação pudesse ser retomada já de um outro patamar.   "Começamos a investir então no desenvolvimento de pesquisa dentro da instituição, enquanto que os professores foram se qualificando mestres e doutores, até estarmos aqui hoje, comemorando essa vitória. Estou realmente muito feliz", concluiu Glorinha.

Para a representante dos pais e responsáveis dos alunos do IBC e membro do Conselho Diretor, Patrícia Vilar, a notícia do reconhecimento do curso é um sinal de que a instituição está fortalecida, afastando a preocupação constante dos pais sobre o futuro do Instituto.  "É muito bom ver que, ao contrário disso, a escola está crescendo e oferecendo mais oportunidades para nossos filhos e professores", concluiu.

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Professora Elise de Melo Borba Ferreira diretora do Dep. de Ps Graduao Pesquisa e Extenso do IBC

Entrevista

Profª Elise de Melo Borba Ferreira
Diretora do DPPE 

Empossada no dia 9 de abril de 2018 como diretora do recém-criado Departamento de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão (DPPE), a professora Elise de Melo Borba Ferreira comemora a conquista do reconhecimento do 1º curso de mestrado do IBC, mas não se esquece da responsabilidade que a ampliação da competência do IBC para além dos ensinos fundamental e médio requer de toda a comunidade acadêmica.  Confira na entrevista abaixo:

 

P – Até ontem, o curso de mestrado do IBC era um projeto que dependia de instâncias superiores primeiro para ter a autorização de ser criado; e depois para ter os meios para ser executado.   Como você se sente com a primeira etapa desse processo vencida?
R –
 Sinto-me muito feliz e realizada, mesmo não sendo o final de todo o processo para iniciarmos o curso. Foi uma longa trajetória até aqui. O IBC, nos últimos dez anos, veio se empenhando para obter essa autorização junto ao MEC e à CAPES. Cada negativa que tínhamos transformava-se em aprendizado, que apontava caminhos para nos adequarmos, principalmente nas questões estruturais e regimentais da instituição. A singularidade do IBC, como órgão da administração direta do MEC, não o aproximava das instituições de ensino superior; nosso quadro docente precisava de se fortalecer em relação à produção científica e isso foi sendo realizado. Considero esse longo período como o tempo do amadurecimento institucional, que agora nos permitiu colher os frutos e demonstrar a potencialidade de nossa instituição. É preciso ressaltar e agradecer o trabalho de toda a equipe do DPPE —  da professora Nayara e do professor Vagner, em especial, mas também de todos que direta ou indiretamente contribuíram para que hoje pudéssemos estar comemorando essa conquista, com um reconhecimento especial ao apoio e ao esforço do diretor João Ricardo e dos gestores que o antecederam.  

P –.Quais são os próximos passos para que o curso comece a funcionar de fato?
R –
A partir da data de publicação da aprovação, temos o prazo de um ano para começar. Precisaremos concluir os ajustes dos espaços físicos já solicitados, organizar a carga horária dos docentes, preparar o edital, dentre outras providências.

P - O quadro de professores do IBC irá suprir todas as necessidades do curso ou haverá necessidade de professores convidados para ministrar as disciplinas obrigatórias e eletivas?
R –
Conforme as regras da CAPES, a maioria do corpo docente é do IBC, contudo, contaremos com alguns professores convidados, que desde o início estão envolvidos na construção da proposta pedagógica do curso.

P –  Qual a sua expectativa de aceitação do novo curso por parte dos profissionais de educação de dentro e fora do estado do Rio de Janeiro?
R –
 O IBC, em seus cursos de formação continuada na área da deficiência visual, tradicionalmente, recebe profissionais da educação de diversas partes do país. É difícil prever, contudo espera-se que essa realidade seja mantida. Sendo esse o nosso primeiro curso, acho que a probabilidade de termos alunos do próprio estado será maior. Considero que ainda é cedo para termos essa percepção.

P – No que o curso de mestrado do IBC poderá colaborar com a Nova Política para Educação Especial com  lançado oficial previsto para agosto?
R
– O nosso país é imenso e mesmo com os esforços já implementados por estados e municípios na formação, os professores ainda têm poucas oportunidades de cursos consistentes em áreas específicas como a da deficiência visual. Geralmente, as formações existentes são realizadas de forma aligeirada e sem aprofundamento. Assim, ofertar formação continuada em nível de mestrado, incentivando à pesquisa e a produção do conhecimento é apoiar diretamente na implementação das diretrizes da nova política.  

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Entrevista

Prof. João Ricardo Melo Figueiredo
Diretor-geral do IBC

Eleito em 2014 com a promessa de trazer o mestrado e a educação profissional ao IBC, o prof. João Ricardo pôde respirar aliviado nesta quinta-feira (18):  na 45ª quinta linha da tabela contendo os nomes dos novos cursos de pós-graduação stricto sensu da portaria 540/2020 consta aquele pelo qual o IBC luta há 15 anos: o mestrado profissional em Ensino na Temática da Deficiência Visual, uma de suas mais importantes promessas de campanha — assunto da entrevista abaixo.

 

P – Até ontem, o curso de mestrado do IBC era um projeto que dependia de instâncias superiores primeiro para ter a autorização de ser criado; e depois para ter os meios para ser executado. Como você se sente com a primeira etapa desse processo vencida?
R – É uma satisfação muito grande ter conseguido vencer a etapa da autorização do curso. Durante bastante tempo temos buscado estratégias para realizar este projeto, pois sempre acreditamos que o futuro do IBC está no incremento da formação para profissionais da educação na área da deficiência visual. Primeiro foi a idealização, depois a primeira recusa do Ministério da Educação há três gestões passadas, e depois a luta para buscarmos concurso com recursos humanos que pudessem sustentar tal proposta, por possuírem titulação e integrarem-se ao fazer científico da instituição. Isto foi outro desafio, fazer com que este novo fazer começasse a ter espaço nas ações institucionais. Agora é dar continuidade aos processo internos para que em um ano possamos abrir a primeira turma.

P – Depois da comemoração deste feito da gestão, é hora de pensar nas suas implicações. Quais são os próximos passos para que o curso comece a funcionar de fato?
R – Precisamos organizar o espaço físico, o que já vínhamos fazendo enquanto o processo tramitava no MEC, organizar as atividades dos docentes e preparar o edital para termos o processo de seleção com as matrículas efetivadas no prazo de um ano da homologação.

P – Do início do processo de criação do curso até a sua aprovação definitiva,  houve mudanças no quadro de servidores que vão exigir a contratação de novos servidores?
R – Sim, durante a tramitação do processo perdemos vários servidores, inclusive um docente do Programa de Mestrado que se aposentou. Isto nos exige uma reorganização, mas é vital para instituição a entrada de novos servidores para que as conquistas possam ser solidamente implementadas. Tivemos duas grandes conquistas na instituição desde 2019, a educação profissional e agora o mestrado, só perdemos servidores, docentes e técnicos, é necessário o incremento urgente para que possamos, inclusive dar continuidade ao nosso projeto de expansão, abrindo cursos lato-sensu e também cursos tecnólogos e de licenciatura, além de reforçarmos os recursos humanos na nossa escola, que a entrada, cada vez mais forte do universo científico dentro da instituição passa a ser uma escola de aplicação.

P – Quais são os maiores desafios para implantação do curso a partir de agora?
R – O maior desafio hoje é conseguirmos realizar todas as ações que são necessárias convivendo com a pandemia do coronavírus. Outro grande desafio é o orçamento do IBC, precisamos de recursos para implementar as reformas e mudanças estruturais que necessitamos para abrigar o crescimento da instituição.

P – A aprovação do curso pelo MEC poderia ser um indicativo de que o Ministério tem hoje uma compreensão maior da importância da educação especializada de uma forma geral e especificamente, daquela voltada à pessoa com deficiência visual?
R – Desde a metade de 2016 que houve uma reaproximação do MEC com o IBC, o que favoreceu a ida de dois Ministros da Educação ao IBC e a aprovação das novas competências. OMEC do governo atual matem boa relação com a instituição, há grande proximidade da SEMESP com o IBC e temos sempre acesso ao Gabinete do Ministro, ao qual pertencemos. É fato que as políticas públicas hoje têm um olhar diferenciado para as questões das pessoas com deficiência, inclusive no Ministério da Educação, o que com certeza teve seu peso, pois a proposta é inédita, na área da deficiência visual e vai ofertar ao MEC condições de praticar sua política de educação especial, ou seja, dar formação aos profissionais das escolas regulares. Por este alinhamento com a legislação e com o plano estratégico do MEC diria que sim, as questões do IBC têm maior visibilidade hoje, assim como dos outros órgãos e entidades que tratam das pessoas com deficiência.

P – Você está no meio do seu segundo mandato, sem possibilidade portanto de reeleição. O que a aprovação do mestrado representa para você como diretor-geral da Instituição?
R – Para mim, é a realização de um sonho, como ex-aluno, servidor e professor. Como diretor-geral, é o cumprimento de minhas promessas de campanha — pelo menos daquilo que dependia de mim.  Esta e outras conquistas são fruto  de uma exposição muito grande a que me submeti para fazer com que o IBC fosse visto, percebido e reconhecido nas diversas instâncias educacionais do MEC em Brasília. A proposta do mestrado foi levada por mim, para os diferentes órgãos de assessoramento e conselhos. Falei em todo o território nacional, em prefeituras, estados, institutos federais e em outros espaços sobre como os planos do IBC poderiam ser bons para a educação brasileira. Contamos assim com um grande apoio, de instituições, políticos, áreas técnicas e até outros de ministérios para que pudéssemos chegar à realização do feito. Fizemos o IBC conhecido e reconhecido não apenas por sua escola, mas pela sua capacidade e capilaridade de ações nacionais. O mestrado do IBC ultrapassa as fronteiras do estado, para ser um curso para atender às demandas do Brasil. Do meu ponto de vista pessoal e profissional, posso dizer que estou ansioso também para atuar como professor do curso ainda durante o término do meu mandato como diretor-geral. 

 

 

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