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Hermínio de Moraes Brito Conde

Publicado: Terça, 08 de Setembro de 2020, 17h05 | Última atualização em Quarta, 16 de Setembro de 2020, 10h00 | Acessos: 59

Nasceu no município de Piracuruca, no Piauí, no dia 18 de março de 1905.  Era o quarto dos 5 filhos do telegrafista, escritor e poeta Hermínio dos Santos Conde, falecido precocemente, aos 27 anos, deixando viúva a jovem esposa Azulina de Moraes Brito.

Queria ser médico e veio sozinho para o Rio de Janeiro para cursar a  Faculdade Nacional de Medicina, na Praia Vermelha, formando-se em 1927. Passou dois anos interno da Clínica Oftalmológica da faculdade onde se formara e assistente voluntário para aprender, adquirir experiência.  Depois passou dois anos clinicando no Piauí e no Maranhão, até voltar para o Rio de Janeiro em 1930 levando um sopro de renovação às entidades de classe, como a Sociedade Brasileira de Oftalmologia que, graças à sua influência, foi reativada depois de anos em recesso.   

Como oftalmologista do Departamento Nacional de Saúde Pública e inspetor especializado do Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina, fez inimigos entre donos de óticos, muitos deles seus próprios colegas médicos,  ao empreender uma cruzada contra os exames de vista feitos por pessoas sem qualificação, chamando a atenção para os riscos que isso significava para a saúde ocular.  A campanha resultou no decreto que tornou proibida esta prática.

Especializou-se na prevenção e tratamento do tracoma —doença inflamatória ocular causada pela bactéria Chlamydia trachomatis que ocorre em áreas de maior concentração de pobreza, sem saneamento básico e que pode levar à cegueira irreversível; promoveu cursos de formação de médicos especializados no combate à doença e até inventou um aparelho para tratar dela — um aparelho de eletrocoagulação semi-transistorizado para extinguir o tracoma destruindo os folículos causadores das lesões.    

Já era presidente da Liga Nacional de Combate à  Cegueira  e responsável pela Campanha Federal contra o Tracoma quando foi nomeado diretor-geral do IBC, em 1951, cargo que ocupou por apenas 10 meses, tempo suficiente para criar um dos mais importantes serviços de apoio aos estudantes cegos do IBC que quisessem prosseguir nos estudos: o serviço de leitura para cegos junto à biblioteca, realizado por ledores voluntários, uma vez que praticamente não havia livros para o ensino secundário e de terceiro grau impressos em braille — preocupação talvez de um homem dedicado às letras. 

Membro da Academia Piauiense de Letras, Hermínio Conde de Morais não foi só um cientista, autor de dezenas de trabalhos publicados dentro e fora do Brasil, mas um escritor que gostava de fazer incursões em temas históricos e biográficos. Sua obra mais famosa, A Tragédia Ocular de Machado de Assis, tem como fio condutor o preço pago pela atividade que de Machado o maior escritor em Língua Portuguesa — que lhe custou, literalmente, os olhos da cara.     

Em janeiro de 1952, Dr. Hermínio pede exoneração do cargo para se dedicar à suas pesquisas e à causa da prevenção à cegueira. 

Morreu no Rio de Janeiro, em 1964, aos 59 anos de idade.

Referências:

CAMPOS, Evaldo. Evocação dos oculistas do passado. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. Rio de Janeiro. 1979. Disponível em <http://www.aboonline.org.br/details/4316/en-US/evocacao-dos-oculistas-do-passado >. Acesso em 9/9/2020.

CONDE, Hermínio de Moraes Brito.  A tragédia ocular de Machado de Assis. Rio de Janeiro: A Noite, 1942.

GUERREIRO, Patrícia (Coord).  Instituto Benjamin Constant: 150 anos.  Rio de Janeiro: Fundação Cultural Monitor Mercantil, 2007. 

 

 

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