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José Francisco Xavier Sigaud.

Publicado: Quinta, 03 de Setembro de 2020, 20h26 | Última atualização em Quinta, 10 de Setembro de 2020, 10h28 | Acessos: 81

Nascido na cidade de Marselha, França, em 2 de dezembro de 1796, Xavier Sigaud graduou-se em medicina pela Faculté de Médecine de Strasbourg, onde doutorou-se em 1818 com a tese Pesquisas e Observações sobre a Laringite Tuberculose. Veio fugido para o Brasil para escapar da perseguição bonapartista, porém muito bem recomendado pelo Barão de Damas, ministro dos Negócios Estrangeiros da França, a Jacques-Marie Aymard, cônsul-geral da França no Brasil para aqui clinicar e desenvolver pesquisas no campo da história natural.  

Chegou ao Rio de Janeiro no dia 7 de setembro de 1825.  Na capital imperial, além da medicina, dedicou-se ativamente às letras, em especial ao jornalismo especializado na área da saúde, alcançando em pouco tempo grande prestígio na corte, inclusive com o imperador D. Pedro II, a quem curou de uma grave doença que o manteve acamado por algum tempo.  

A atividade jornalística de Xavier Sigaud foi bastante intensa ao longo de toda a sua vida no Brasil.  Participou da fundação de quatro periódicos:  o Jornal do Commércio, um dos mais importantes jornais da época imperial e o segundo mais  longevo do País (sua última edição foi às ruas em 29 de abril de 2016), perdendo apenas para o Diário de Pernambuco; o Semanário de Saúde Pública (da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, do qual foi um dos fundadores); o primeiro periódico médico brasileiro, O Propagador das Sciencias Medicas ou Anaes de Medicina, Cirurgia e Pharmacia; para o Império do Brasil e Nações Estrangeiras e o Diario de Saude ou Ephemerides das sciencias medicas e naturaes do Brazil.  Foi neste último periódico que ele publicou parte do material que viria a se constituir sua principal obra na área da medicina — o livro Du climat et des maladies du Brésil ou statistique médicale de cet Empire" (Clima e doenças do Brasil ou estatística médica deste Império). 

Foi também o primeiro entusiasta e grande articulador da criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamin Constant, inspirado por José Álvares de Azevedo, o jovem professor cego que ensinara sua filha Adèle Marie Louise, também cega, a ler e escrever com o revolucionário código inventado por Louis Braille que aprendera no Instituto de Jovens Cegos de Paris.  Assim, ele articulou o encontro entre Álvares de Azevedo e o Imperador, que imediatamente encampou a ideia.  Xavier Sigaud, com seu espírito empreendedor, participou ativamente no projeto de criação da escola, do qual foi seu principal diretor, além de professor, por dois anos.  

Condecorado com a Cruz da Legião de Honra da França; como Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro pelo Imperador D. Pedro II; membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; membro fundador da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro e da  Sociedade Real de Medicina de Marselha, José Francisco Xavier Sigaud morreu pobre, nas dependências da escola que ele ajudou a criar, em 10 de outubro de 1856.

Em 19 de junho de 1859, foi inaugurado um pedestal em sua homenagem no salão nobre do então Imperial Instituto dos Meninos Cegos, com os seguintes dizeres: "J. F. X. Sigaud collaborador de J. A. Azevedo na fundação do Instituto dos Meninos Cegos e primeiro director do mesmo instituto"

Em 1890, o instituto, então denominado Instituto Benjamim Constant, foi transferido para o prédio na Praia da Saudade (atual Avenida Pasteur, bairro da Urca), na cidade do Rio de Janeiro, e, nas proximidades deste novo prédio, posteriormente, foi aberta uma rua a qual foi denominada como Rua Dr. Xavier Sigaud.

Sua filha Adèle Marie Louise Sigaud por muitos anos trabalhou como professora de primeiras letras e de música do Instituto. 

 

Atuação como diretor-geral do IBC

 

Como primeiro diretor-geral do Instituto, Xavier Sigaud focou seus dois anos de gestão na consolidação da instituição como um lugar capaz de mudar radicalmente a expectativa de vida da criança e do jovem cego, que naquela época eram condenados à segregação dentro de suas próprias casas. Conforme destacou o médico e escritor Manoel Duarte Moreira de Azevedo em sua obra “O Rio de Janeiro, sua história, monumentos, homens notaveis, usos e curiosidades", Sigaud 



“(....); procurou dar vida à instituição; mandou publicar pela imprensa extensos artigos explicando os methodos especiaes do ensino, os resultados colhidos em outras nações; (....); dava maior publicidade aos exames dos alunos convidando para esse acto grande concurso de assistentes; porfiava para apresentarem os discípulos provas de sua aptidão e aproveitamento; assim foi destruindo os infundados prejuízos da inutilidade dos cegos, cooperando para que esses por si mesmos protestassem e provassem que para viver não precisavão estender a mão á caridade publica; e conseguio que todos compreendessem que os cegos podião ler, escrever, contar, estudar musica e instruir-se nos preceitos da religião catholica”
 (AZEVEDO, 1877, p.99, apud FONSECA, M. R. G. F, 2009).

 

Dedicou grande parte do seu talento como comunicador para divulgar os resultados que o Instituto vinha alcançando, conforme demonstra esta matéria publicada no periódico A Semana, em 1855, destacando a atenção que o Imperador D. Pedro II prestava ao Instituto, mantendo-se a par do desenvolvimento dos trabalhos lá realizados. 



“A primeira prova foi de educação e instrucção religiosa. O Sr. Conego Fernandes Pinheiro é o Livita encarregado de lançar n´essas almas tenras as sementes sâs de Religião (......). Seguiu-se as provas de escrita e leitura: foram satisfatórias, e é digno de especial louvor o methodo eufônico, que parece ser o primeiro cuidado do professor: dava-se uma limpidez de pronuncia, e um argentino de voz, como talvez não seja fácil encontrarn outras escolas. Alguns meninos exibiram provas de sua aplicação ao piano. (....). D. Pedro II parecia intima e cordialmente satisfeito com este espectaculo; os Srs. Drs. Sigaud, conego Fernandes Pinheiro, e Marquez de Abrantes diviam compartilhar esta satisfação, porque do resultado de seus esforços obtiveram triumpho”  (INSTITUTO, 1855, p.14, apud FONSECA, M. R. G. F, 2009).

 

Fonte: FONSECA, M. R. G. F. SIGAUD, JOSÉ FRANCISCO XAVIER. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil.  FIOCRUZ, disponível em < http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/sigjoxav.htm >, acesso em 4/9/2020. 

 

Para saber mais sobre a vida de Xavier Sigaud acesse:

1) Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz 

2) Academia Nacional de Medicina 

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