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Notícias

Comunidade do IBC comemora os 60 anos da Revista Pontinhos

O primeiro número da revista foi publicado em setembro de 1959, como suplemento da Revista Brasileira de Cegos.

  • Publicado: Quinta, 19 de Setembro de 2019, 13h23
  • Última atualização em Quinta, 19 de Setembro de 2019, 18h37
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Foi uma manhã de muita emoção para os servidores e funcionários terceirizados do Departamento Técnico-Especializado.   No palco, o servidor João Batista Alvarenga, cego, revisor de textos em braille do Instituto, foi o mestre de cerimônias de uma festa que resgatou fatos, dados e nomes de pessoas ligados à história da única revista recreativa para criancas e adolescentes cegos do Brasil.  O principal homenageado foi o professor e ex-diretor-geral do IBC, Renato Monard da Gama Malcher que, enquanto responsável pelo setor de publicaçãos para cegos do Instituto, teve a inspiração de criar uma especialmente para o público infanto-juvenil.

De 1959 até hoje, a Pontinhos tem cumprido ininterruptamente sua função de "Recrear educando; instruir divertindo e esclarecer convencendo" — o lema impresso pelo professor Malcher na sua edição de estreia.  Mas, outros ex-servidores com fortes laços com a Imprensa Braille foram lembrados durante o evento pelo diretor do DTE, Jefferson Gomes de Moura.  Dentre eles, o   ex-diretor-geral, Jonir Bechara; a professora aposentada e ainda colaboradora da Imprensa Braille, Regina Caropreso, e a ex-diretora do Departamento Técnico-Especializado, Ana Luísa Mello de Araújo — todos presentes ao evento.   

O professor Heverton Bezerra da Silva, falou sobre os planos para aumentar a participação dos alunos na publicação, dentre outras novidades.  "A ideia é incluir os alunos nas reuniões de pauta da revista para que eles proponham matérias para serem feitas, inclusive por eles mesmos", disse Héverton, que é coordenador da revista. Ele foi enfático na defesa do uso do braille por todas as pessoas cegas, independentemente do acesso que tenham às novas tecnologias.  A mesma defesa foi feita pela professora Carla Maria de Souza.  "O braille faz parte da nossa identidade como pessoa cega.  Ele é a base para a formação do nosso conhecimento.  Usar os recursos do computador, dos smart phones é muito bom, mas esses não substituem, pelo menos por enquanto, o sistema de leitura e escrita que nos dá autonomia para nos expressarmos, por escrito, na língua portuguesa", completou a professora.

A defesa do braille também foi feita pelo aluno Yago Eduardo de Carvalho, do 9º ano, leitor assíduo da revista Pontinhos.  "A leitura em braille é o que nos permite dominar a escrita. A saber a forma correta de pontuar o texto e de escrever as palavras, sem falar na autonomia como leitor, que é fundamental.  Espero que vocês gostem da Pontinhos tanto como eu e descubram como ela é legal", disse o estudante, desejando boa leitura a todos. 

A supervisora da Imprensa Braille, Fabiana Moura Arruda, explicou à platéia como é o processo de produção de uma revista em braille e agradeceu a todos os envolvidos nesse processo.  "São professores, transcritores, revisores, impressores e encadernadores que tornam possível a produção e entrega da revista a seus 2.400 assinantes dentro e fora do Brasil", disse Fabiana.     

À professora Maria da Glória de Souza Almeida coube homenagear o professor Malcher, resgatando suas memórias de criança e adolescente, quando foi aluna de matemática dele.  "Era um homem de uma delicadeza, de uma sensibilidade sem par e que, quando responsável pela publicação da Revista Brasileira para Cegos, compreendeu a importância de se oferecer ao público infanto-juvenil uma opção de lazer em braille.  Uma publicação pensada para elas, como tantas que haviam para as crianas videntes.  Uma publicação que, 60 anos depois, continua a seguir a orientacão primeira dele: "recrear educando, instruir divertindo e convencer esclarecendo", completou Glorinha, como a professora é conhecida.

Uma das atrações do evento foi o vídeo produzido pela Coordenacão de Comunicação e Marketing Institucional, sobre a história da Pontinhos e a importância dela para diferentes gerações de leitores, seja como lazer, seja como material pedagógico a ser explorada em sala de aula.

Os alunos dos ensinos fundamental e médio assistiram a tudo com atenção, uma vez que as informações ali repassadas seriam o assunto do quiz conduzido, ao final das falas e do vídeo.  E assim aconteceu.   A professora Geni Abreu conduziu a dinâmica, fazendo com que — exatamente como preconizava o professor Malcher — a história da Pontinhos fosse absorvida de forma lúdica e divertida.

Para encerrar, os servidores e funcionários terceirizados deram um show de afinação e entrosamento, cantando três músicas ensaiadas especialmente para a ocasião, acompanhados, ao piano, pela ex-aluna e atual revisora da Imprensa Braille, Caroline Erdi.  Nessa hora, o mestre de cerimônias e um dos organizadores do evento João Batista trocou o microfone pelo violão, integrando o grupo.

"A festa foi muito bonita.  O DTE como um todo está de parabéns não só pelo que vimos aqui hoje, mas por todo o trabalho que realiza para a disseminação do braille às crianças.  Isto é fundamental para contermos o processo de desbrailização tão nocivo para o cego.  Esperamos que esses 60 anos se repitam continuamente e que a Pontinhos continue viva, divertindo e ensinando seus leitores", disse o diretor-geral do IBC, João Ricardo Figueiredo.

 

 

 

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